sábado, 18 de dezembro de 2010

Escada de relacionamentos

Pensando sobre a busca incessante do ponto de equilíbrio, vejo como é difícil não ficar totalmente desequilibrado com essa necessidade (inata e frustrante) de estarmos sempre em sintonia com nós mesmos e com o que nos cerca.

Aprendemos a nos adaptar ao meio - somos naturalmente treinados para a incorporação a tudo estabelecido. Primeiro nos relacionamos com nossos pais, família, amigos; depois fazemos nossos amigos e construímos nossa família - independente da forma.

É impossível ao ser humano viver sem estar ligado com o mundo, com alguém, com algo. Bem ou mal, as vivências vão transformando nossa forma de pensar e de agir, ou seja, de ser.


Nossa família é o alicerce, onde tomamos as bases de relacionamento (aquelas que nos ditam, e as que absorvemos inconscientemente: como o pai trata a mãe, como a tia fala com o avô, respeito entre irmãos e assim adiante), depois a escola: como lidar com o “coleguinha”, como se posicionar na relação professor-aluno e como coexistir em sociedade.

Da junção de elementos/experiências desses dois relacionamentos iniciais, chegamos ao ponto a partir do qual iniciamos um terceiro tipo, comumente mais complexo.

Pegando base nas vivências com a família e com os coleguinhas de escola, estaremos aptos (ou não) a dar um passo a mais. Nosso currículo agora procura outra "experiência profissional". Com um pouco mais de riscos e responsabilidades.

Subindo na escada dos relacionamentos, muitas vezes tropeçamos e caímos. Sentimentos, angústias e todo tipo de vibração nos atacam em diversos momentos dessa nova "jornada". No início sentimos muito a dor dessas pancadas, desses tropeços. Com o tempo aprendemos a subir; Vezes mais devagar, atentando aos degraus maiores ou menores, outras vezes subimos correndo, já sabendo a inclinação da escada. Também existe aquele momento em que subimos de olhos fechados, não importa saber o quanto a escada é íngreme ou se os degraus são mal feitos.

O relacionamento conjugal pode ser visto como uma mistura dos anteriores, por isso às vezes acabamos confundindo as imagens, é muito comum tratarmos o parceiro como nossos pais sempre fizeram conosco, ou o inverso, esperamos ser tratados como filhos. Baralham-se as vivências e acabamos perdendo a noção de nossa própria posição no relacionamento.

O grande problema é que fomos (e somos) iludidos a achar que existe alguém que nos completa. Só que, não existe absolutamente ninguém que complete outro; a não ser o próprio indivíduo – que deve se auto-completar em todas as áreas da sua vida, essa sim é a busca correta.

E quando se é completo, se é um, aí sim é possível ser dois. O relacionamento ideal é feito de duas pessoas completas que se complementam, que dividem e criam novas experiências numa vida em casal, sem perder a individualidade/personalidade e se aproximando cada vez mais do ponto de equilíbrio que, sem dúvida alguma, está no topo da escada.

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